ROBYN - SEXISTENTIAL



7.4

Desde “Dancing On My Own”, talvez a melhor música pop de todos os tempos, Robyn é tida como um dos nomes centrais do que se tornou a música pop ao longo da década de 2010. Mais do que isso, e para além das abstrações do que esse apontamento pode significar, ela teve seu dedo em quase todas as músicas lançadas desde então.

Claro que seria um exagero dizer isso sem mais nem menos, mas a sequência de lançamentos que compreende Body Talk e Honey, reafirma o que de melhor Robyn desenvolveu, e que fez com que outros artistas não apenas se inspirassem, mas buscassem atingir, minimamente que fosse, algumas de suas investidas por melodias e ritmos que avançam por sintetizadores que dão a impressão de existir solitariamente.

Essa característica, a de dar espaço para syhths poderosos, é tão presente em Sexistential do que em qualquer outro disco de Robyn. Aqui, ela trabalha com longos segundos de exibições instrumentais, eletrônicos dance que vão além de meros acompanhamentos, pano de fundo, das suas letras. “Light Up”, por exemplo, aponta para uma espécie de aquecimento que, após a voz dela surgir, a acompanha até os primeiros raios lasers atravessarem a estrutura e a faixa surpreendentemente evitar explodir, como se quisesse transpor sua catarse instrumental, lírica e voz para o final. Ainda assim, é uma culminação contida, que combina com a temática, cujo primeiro verso é: “I was so insecure”.

Sexistential é bem curto. Muito conciso, na verdade, o que é tanto um ponto positivo quanto negativo. É positivo porque Robyn sempre lançou álbuns maçantes e por vezes monótonos, mesmo que bons, como Honey. É negativo porque dá a impressão de que as músicas acabam se fechando em estruturas muito definidas, com linhas de sintetizador que se repetem bastante como marcadores de tempo, como se fossem a base da maioria das canções. Você ouve essa batida quase minimalista em momentos como “Sucker For Love” e “It Don’t Mean A Thing”, que também apresenta uma voz robótica, muito reminiscente da estética futurista de Body Talk. É bem nostálgico.

Mas, acima de tudo, incluindo seus temas, este é um álbum ousado, porque Robyn sempre foi conhecida por criar a perfeição pop, e aqui ela abraça essa consciência, e todas as faixas parecem ter sido feitas para corresponder a um ideal de pop perfeito. Isso funciona muito bem em vários momentos. A faixa de abertura, “Really Real”, é pura música dance dos anos 2010, mas mais densa. Eu consigo imaginar Carly Rae Jepsen cantando essa música, sem os efeitos robóticos.

Ainda assim, é em “Into the Sun” onde Robyn parece corresponder a esse abraço ao pop perfeito ao qual desde sempre lhe foi imposto – com muita razão. A forma como a música cresce relembra muito os clássicos da artista. É uma “Dancing On My Own” mais consciente, e que combina com a temática de relacionamentos do álbum. Suas batidas não temem corresponder a economia de explosões de “Light Up”, e se esparrama para uma atmosfera tanto de encerramento quanto de esperança, de coragem.

Into the sun
Just like a sword, I’m bound to be sorry
Into the sun
I might be wrong and burn on the entry
It’s my last crusade, you know I fight it
Just to make sense of my mistakes
Look what I’ve done
So brave and dumb, fly right into the sun
Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

Postagem Anterior Próxima Postagem