Rosa - Bike Club



7.3

Ora Rosa, ora DJ Rosa Boladão, Rosa – sobrenome artístico por trás de algumas das melhores coisas feitas no Brasil atualmente, como “Tacola”, a melhor música do ano passado – é uma figura que parece captar o zeitgeist daquilo que, para nós, representa a música eletrônica, e que aqui se insere todo o aspecto pop, funk e experimental do gênero. Quando assume o nome DJ Rosa Boladão, suas produções mesclam justamente esses estilos, com maior incidência do funk. Já quando é apenas Rosa, o jovem produtor viaja pela eletrônica formalista, aquela que costumamos enxergar apenas pela lente dos grandes maestros europeus, mas ainda assim de um jeitinho brasileiro.

Em seu novo EP, Bike Club, Rosa investe justamente na segunda opção. “SPB” abre os trabalhos com um fragmento vocal que atinge uma camada básica de techno e, logo depois, é recheada por pratos e claps que desembocam numa atmosfera club fechada, reduzida, mas atravessada por uma intensidade que percorre toda a sua duração e se aproveita de certos maneirismos, como a repetição dos vocais, das batidas e o drop após a segunda metade. “Selvagem”, diferentemente, é mais contida. Organizada de forma semelhante à primeira, volta-se mais ao aspecto hard, amontoando snares a ponto de quase transformar o ritmo em algo tribal, funcionando numa secura insaciável. Rosa sabe brincar com esses trejeitos sem apelar para uma padronização oca. A linha de baixo que invade a segunda metade diz muito sobre o quão desafiador ele pode ser diante das normas.
Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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