Slayyyter - WOR$T GIRL IN AMERICA



7.4

Quando lançado há algumas semanas, WOR$T GIRL IN AMERICA recuperou um debate muito prolixo entre os fãs de divas pop que, da última vez, BRAT de Charli xcx havia trazido: a música pop suja. Fato é que o ponto em comum desses dois discos é justamente a forma como constroem essa sujidade. Eles operam de forma semelhante ao pegar fragmentos de eletrônica de vanguarda, trazer para uma linguagem pop e impor temas e letras que não precisam de muito esforço para concretizar a agressividade de seus instrumentais calculadamente densos.

WOR$T GIRL IN AMERICA é ainda mais literal neste sentido. Seus temas tocam abertamente no uso de drogas, sexo e outras coisas que deixam os fãs da Taylor Swift perplexos. A questão é que Slayyyter tem, também, um repertório muito afiado de referências, e por isso este álbum, mais do que sonoridade, acaba sendo também sobre o rollout construído em torno dele. Apela, devido a isto, a um maximalismo que está presente nos arranjos densos e estruturados como o da abertura electro-industrial “DANCE…”, ou nos próprios vocais, que acabam sendo soterrados pelo instrumental como na sequência “OLD TECHNOLOGY2” e “CRANK”.

O fato é que Slayyyter sabe como dominar esse conjunto completo, e fazer funcionar. Ainda que toque na superfície de ganchos pesados e quase absolutos em termos de causar barulho, WOR$T GIRL IN AMERICA ainda vence pela narrativa, pela desconjuntura em ousar ser superficial e ao mesmo tempo denso (superficial na abordagem e denso na aplicação de tendências industriais no pop, por exemplo) e pelo ato de expor uma certa liberdade de moral. O pop hoje está contaminado pelo moralismo, que leva a ideias reacionárias do que é a música, em sentido generalista mesmo. Mais WOR$T GIRL IN AMERICA, menos LUX e THIS MUSIC MAY CONTAIN HOPE.
Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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