
7.0
Descrito como resultado de uma libertação pessoal, o segundo álbum de Nene H se estende por longos minutos instrumentais, é uma profusão de estilos condensados em um processo de experimentação que foca justamente em condições narrativas fincadas em questões humanas, dando a impressão de, de fato, se resolver ali, ao longo de pouco mais de trinta minutos. A abertura, “Where Was I”, vai além de um questionamento. Seus mais de seis minutos de duração têm como base um ruído de fundo constante, enquanto frases irreconhecíveis se repetem incessantemente. Se fosse um ritual, esta seria sua iniciação, antecedendo o transe que tomará conta das próximas faixas.“Promises, promises” é mais agitada, com batidas que utilizam uma estrutura de deconstructed club para repelir quaisquer aparências de silêncio. É a explosão, o instante em que Nene H chuta o pau da barraca. E faz sentido, visto que o álbum percorre, narrativamente, um término. Aos poucos, vai esmiuçando seus diferentes estágios emocionais. Mas é a escolha sonora que dita os rumos do projeto, sobretudo nos momentos em que as batidas assumem um padrão mais direto, como em “Gordian Knot”, que aproxima o álbum de vez do techno. O mesmo vale para “Bad Lala”; dessa vez, porém, o ritmo sobe tanto que se fecha em um pico que só se desfaz em “Ode to Machina”, com suas percussões e breaks futuristas.
O que também torna Second Skin chamativo são os fragmentos vocais e sinais de emissão característicos de sonoridades do Sudoeste Asiático, colocados em evidência nesses momentos mais “naturais”, guiados por percussões e estilos dance que se afastam de uma simplicidade club centrada no eixo ocidental. E, apesar de não ir muito além dessa mescla, Nene H consegue fixar sua própria forma de compor, atravessada tanto pela formalidade de gêneros presentes em abundância, como o techno, quanto por raízes culturais que, querendo ou não, conferem maior profundidade ao que busca abordar.
O que também torna Second Skin chamativo são os fragmentos vocais e sinais de emissão característicos de sonoridades do Sudoeste Asiático, colocados em evidência nesses momentos mais “naturais”, guiados por percussões e estilos dance que se afastam de uma simplicidade club centrada no eixo ocidental. E, apesar de não ir muito além dessa mescla, Nene H consegue fixar sua própria forma de compor, atravessada tanto pela formalidade de gêneros presentes em abundância, como o techno, quanto por raízes culturais que, querendo ou não, conferem maior profundidade ao que busca abordar.