
7.7
Assim como grande parte dos melhores álbuns lançados em diálogo com a cena do funk underground, VITA'S HOUSE tem uma extensa lista de colaboradores e convidados. O disco, como um todo, também é bastante extenso, esbarrando nos cinquenta minutos de duração. Ser, por extenso, é um dos atributos da estreia solo em grande estilo de Vita. A artista há muito demonstra certo apreço por grandes nomes deste mesmo espaço que ela ocupa, como Linn da Quebrada. Por alguns instantes, VITA'S HOUSE grita em semelhança com projetos como Pajubá, sem deixar de lado as suas próprias colocações estéticas e líricas, é óbvio, e este é também um dos seus grandiosos atributos.
Veja bem, é difícil querer traçar alguma comparação e colocar Vita e sua ex-companheira de duo, a ISMA, numa situação de rivalidade que, num momento como o que vivemos, não faz o menor sentido. Mas, o rumo que cada uma tomou em seus álbuns de estreia solo torna evidente que Vita está mais do que ajustada em seguir com suas referências, nitidamente mais interessantes que as de ISMA. VITA'S HOUSE é banhado por diferentes estilos que compreendem o espectro da eletrônica produzida no Brasil, e isso inclui tanto os ganchos – e vocais – do produtor BADSISTA em “SEX ON THE FLOOR” ao lado da produção rasteira de Cyberkills, quanto as tendências recentes do funk, como o funkhall de “SALADA”, com DJ Thiago Martins e Erick Di.
Essa diversidade, nitidamente, reflete a própria diversidade dos nomes envolvidos no álbum. É, porém, diferente de uma ideia próxima da desanexação da própria identidade de Vita ao trazer tantos estilos e produtores sob seu teto, sua casa. Mas VITA'S HOUSE domina esse conceito de forma bem didática até, situando o ouvinte na residência da artista, seus gostos, seus desejos e suas intenções. É um conceito bem amarrado, e que na prática faz com que todas as músicas tenham um toque especial, um elemento que brilha sem esforço.
É o caso de “MARRETADA”, com DJ Caio Prince e DJ Sant, hit que mescla house com mandelão e uma virada ao agressivo que remete às produções padrão do gênero, exceto pelo contexto hedonista que move a perspectiva sexual para a personalidade e vivência da artista – a música é uma quase crônica sexual narrada através de uma viagem noturna por São Paulo. São justamente esses detalhes que tornam o álbum – e sua duração, que alguns ouvintes acostumados a LPs de funk podem considerar excessiva – tão denso. Mas isso faz parte da profundidade com que Vita apresenta sua própria casa. E, sinceramente, os minutos passam mais rápido do que se imagina.