As melhores músicas de Madonna



Como preparação para CONFESSIONS II, próximo álbum de Madonna que chega no dia 03 de julho, reuni as dez melhores músicas da artista. Uma seleção que mistura verdadeiros clássicos da música pop e alguns destaques que cresceram em sua discografia com o decorrer dos anos, sobretudo algumas escolhas que revelam o experimentalismo de gênero da Rainha com a música eletrônica.

10. “Sorry”

É difícil mensurar o grau da obsessão de Madonna pelo ritmo – pela sequência harmônica mesmo – durante a era Confessions de 2005, a ponto de ela pedir desculpas em dez idiomas diferentes, escolhidos com a intenção puramente estética de criar uma letra que explorasse esse ritmo harmônico (violinos, sotaque), de uma maneira quase galáctica, e que traz uma das melhores pontes da história do pop.

9. “Thief of Hearts”

Vidros estilhaçando, baterias sombrias, sirenes policiais e uma atmosfera noturna que define, como poucas músicas, o andamento de um álbum. “Thief of Hearts” é Erotica em número e grau, mas também é puramente Madonna: uma posição feminina irreverente, um ataque sem recuo, boca suja, agressiva – tudo no melhor sentido possível.

8. “Skin”

Uma das músicas mais físicas – estética e tematicamente – de Madonna, “Skin” também age como um resumo do experimentalismo de gênero presente em Ray of Light. Suas batidas que mesclam o techno e com o trance da virada do milênio gera uma espécie de energia dance e profundamente espiritualista – o resumo também da ida de Madonna aos signos religiosos do budismo, do hinduísmo e da Cabala.

7. “Papa Don't Preach”

Sem “Papa Don't Preach” nos anos 80, muito provavelmente a melhor década de Madonna, os anos 90, não existiria. Essa é a música que formalizou a maturidade artística dela, e mesmo sendo teoricamente um marco – tema sobre a gravidez na adolescência – sua construção cheia de arranjos de cordas orquestrais a tornam uma das peças mais robustas e dramáticas da carreira de Madonna.

6. “Like a Prayer”

O que se pode dizer sobre a música de maior impacto de Madonna em todos os sentidos imagináveis? Sem cair na repetição de explicar por que esta é, inquestionavelmente, uma das três faixas mais importantes da história da música pop, ela também se destaca como um exemplo máximo da disposição de Madonna em arriscar tudo pela sua arte e em nome da provocação. Ela reflete um nível de comprometimento inexistente nos dias de hoje.

5. “Erotica”

Madonna sempre flertou com cenas e artistas do underground enquanto moldava sua base musical, mas foi apenas com Erotica que esse flerte pareceu alcançar um nível singular de compreensão: o de que a melhor música é sempre encontrada nas margens, nas beiradas, nas profundezas. É por isso que a atmosfera lânguida, as instrumentações com influência de trip-hop e as texturas sonoras parecem funcionar justamente devido ao seu distanciamento do pop mainstream, ainda que a própria Madonna estivesse definindo esse mesmo pop.

4. “Forbidden Love”

Apesar de um ritmo que mergulha em algumas das mais belas linhas de sintetizador de toda a discografia de Madonna, a atmosfera da faixa – composição lírica – beira uma tristeza profunda, um gosto amargo, uma sensação de vazio. Devido a esse contraste, o "amor impossível" apresentado como tema deixa de ser apenas um ponto de referência e torna-se algo literal, palpável a cada segundo. E isso é surpreendente, justamente considerando a proposta de Madonna no álbum Confessions on a Dance Floor (2005). No disco, a música fica entre “Let It Will Be” e “Jump”, centrando uma das sequências mais astutas da música pop, essencialmente na versão non-stop.

3. “Ray of Light”

Além de expressar literalmente o despertar espiritual de Madonna, “Ray of Light” apresenta um dos ritmos mais autênticos e frenéticos de uma vertente acelerada da psicodelia pop. É como se os sintetizadores – e a própria interpretação vocal de Madonna – criassem uma sensação de descompasso, um ritmo acelerado que se alinha ao tema da canção. A faixa, construída sobre uma base extraída de “Sepheryn” (1971), da dupla Curtiss Maldoon, é ajustada para soar deliberadamente oscilante, tal como o próprio tempo, o que ressalta a importância de encontrar a luz para que não precisemos permanecer aprisionados à rotina, ao automático do dia a dia. É a definição de pop perfeito.

2. “Vogue”

Pensar em “Vogue” é pensar na própria relação que Madonna sempre teve com a comunidade LGBTQIA+. A música brinca com os códigos da cultura ballroom que se perpetuava nos anos 90, mas, mais do que isso, é uma miscelânea de house noventista, com incrementos tão inteligentes – como a palavra falada – que a tornam tão complexa quanto extravagante. É um dos grandes feitos da Rainha pelo simples fato de organizar tudo o que fez dela o nome mais definitivo da música pop, reunindo referências e uma homenagem que perpassam as décadas.

1. “Frozen”

Não é de espantar que, alguns anos atrás, essa música tenha recebido uma centena de remixes não oficiais e versões produzidas por artistas DIY no SoundCloud. É a faixa que melhor representa a melhor era de Madonna, seu ápice criativo e seu legado na música pop comprometida em buscar referências por meio da não conformidade estética. A faixa de seis minutos é um épico que organiza, em seu tema, o momento de atravessamento religioso de Madonna em Ray of Light, mas também questões emocionais que consolidaram de vez sua maturidade artística em um ponto indiscutível de abordagem descritiva do som: gelado, frio, tomado por arranjos e batidas sutis ao lado de cordas e elementos musicais com raízes no Oriente Médio. Não há o que dizer além da grandiosidade com que esse momento e esses elementos colidiram e criaram, em perspectiva da própria seriedade com que Madonna adentrou a pesquisa para conceber algo assim, a melhor música de sua carreira.

Ouça a playlist:


Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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