
6.5
A parte mais interessante de quando algum DJ ou produtor conhecido por estar sempre na line de grandes festivais – da música eletrônica aos gigantescos eventos de música alternativa e pop – lança um trabalho próprio é encarar o que ele tem a apresentar em termos de criação. O que alguém quase sempre visto atrás de controladoras faria em um formato fechado, como um disco ou uma música? Quais estruturas utilizaria para fazer aquilo que faz de melhor?NATURE IS HEALING, de horsegiirL, aquela DJ que usa uma máscara de cavalo, é um dos exemplos mais recentes disso, sobretudo se considerarmos sua popularidade e o quanto sua estreia vinha sendo aguardada. E, surpreendentemente, o álbum não se parece necessariamente com um set dela. Pelo contrário, soa como um disco que alguma diva pop alternativa lançaria na metade da década de 2010. É, por vezes, nostálgico, mas também parece sem direção em alguns momentos, especialmente na forma como busca corresponder a sons cheios de viradas (“that's my beach!”) e batidas que tentam mesclar seu apelo pop com o apelo de DJ de festival (“hands hands hands”).
Quando foca apenas em sua veia exclusivamente DJ, horsegiirL compensa a falta de inspiração pop. Veja como “earth is turning” consegue se ajustar muito bem à própria ideia natureba que ela tenta trazer aqui, com batidas euro-trance que parecem vir do âmago da rebeldia rave em que garotas jovens mergulham ao conhecer os espaços imersivos da floresta, das drogas sintéticas e de tudo o que gira em torno disso. É o tipo de honestidade que poucos artistas na mesma posição que ela conseguem capturar – aqui me refiro ao horroroso álbum de estreia de Peggy Gou, I Hear You (2024) – e, por isso, talvez valha a audição.