
8.3
Chromadelia reúne duas décadas de trabalho e explorações do produtor italiano Ness dentro do techno. O EP de quatro faixas percorre algumas das características que ele estabeleceu ao longo dos anos, como a volatilidade de estruturas que adentram o minimal por uma perspectiva mais ambient, algo perceptível na faixa que encerra o disco, “Eltrip”, que parece ter sido retirada do fundo de um galpão abandonado, repleto de equipamentos e maquinários enferrujados – uma atmosfera propícia para uma rave.Na faixa de abertura, “Iridium”, os mais de seis minutos de duração apontam para essa mesma direção que o disco assume ao final, mas de maneira mais direta em sua abordagem dub, com lasers e um bumbo que define o ritmo através de percussões que variam constantemente de textura. É justamente isso que determina uma das características centrais das produções de Ness. Note como todos esses elementos se apresentam por meio de uma composição manual, como se fossem pensados e posicionados ali somente após as bases já estarem definidas.
Esse é o trabalho artesanal que Ness impõe às suas obras, e que aparece muito bem delimitado aqui. Na sequência, “Mechalon”, a batida é tão seca na definição dessa base – quase como um bate-estaca – que gera, a partir dela mesma, a própria noção de minimalismo. Em seguida, esse espaço é preenchido por efeitos ambientais atrelados ao dub techno noventista, algo que só faz sentido existir aqui pelo nível de improvisação e pela liberdade que o produtor possui ao organizar cada elemento manualmente. É um trabalho de precisão absurdo, daqueles que só podem ser observados através das lentes de gênios do techno como ele.