residentevie - T-VIRUS



7.4

Misturar funk com dubstep não é novidade. Neste ano, RHR deu uma aula de como fazer isso em GÍRIA, seu EP de estreia no selo PAN. Mas T-VIRUS, de residentevie, ganha destaque por seguir um caminho mais acessível. Se RHR encontrou meios de unir os dois estilos em uma mescla ainda mais profunda de EDM, com passagens por estilos latinos e apoiada em tendências de pistas como o UK Bass – universo que já suporta o próprio dubstep –, residentevie é muito mais direte em sua abordagem. “CARADIKEM”, por exemplo, faz com que a acapella de MC ajude, ora a aumentar, ora a diminuir e arrastar o subgrave, em uma estrutura fortemente influenciada pelo footwork.

“SOLDADO INVERNAL” é quase o oposto, justamente por ser mais radical. A faixa é tão arrastada que chega a recorrer a uma literalidade dub bastante obscura, fazendo com que as viradas aconteçam de acordo com o sample utilizado. Já “TOMA 2099 (BONUS)” é o ponto alto do disco. A faixa grita o EDM com funk que esteve em alta no ano passado, mas é muito mais complexa em termos de design de som, sobretudo porque incorpora a ritmada para soar ainda mais esparsa, diversa em suas batidas de funk. É algo próximo do que d.silvestre faria se estivesse mais inspirado em O Que as Mulheres Querem, trabalho que se insere de maneira mais direta no universo da bruxaria. É por este contraste que T-VIRUS soa ainda mais interessante, pois parte de ideias tão refrescantes quanto inusitadas.
Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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