
Como preparação para Music, Fashion, Film, próximo álbum de Charli xcx que chega no dia 24 de julho, reuni as dez melhores músicas da artista. A seleção conta com faixas que mudaram sua trajetória artística, bem como tiveram peso decisivo nos rumos que a música pop tomou desde que estreou no início da década de 2010.
10. “Move Me”
Embora o álbum CRASH seja negligenciado por grande parte do público da Charli, sobretudo devido ao seu apelo pop comercial, uma mudança em relação à sonoridade vanguardista que ela havia adotado desde Vroom Vroom, ele ainda conta com alguns destaques incríveis. Um exemplo perfeito é “Move Me”, uma faixa pop impecável na qual Charli, em um daqueles momentos raros, deixa a vulnerabilidade assumir o protagonismo. “It's somethin' 'bout the way you save my life”, ela canta em um dos melhores pré-refrões de sua carreira.9. “365”
A faixa de encerramento do álbum BRAT também serve como um resumo, uma retrospectiva das conquistas de Charli em 2024 e um testemunho da ousadia de suas explorações, enraizadas na música eletrônica clubber e em suas características mais marcantes. O álbum tornou-se um clássico, e a música escolhida para personificar esse status só poderia ser uma: uma espécie de set que reúne trechos e batidas evocativas dos melhores momentos, passagens, frames e instantes do disco, nos levando diretamente para o âmago de tudo o que essa era simbolizou: "Bumpin' that"!8. “anthems”
Antes mesmo de BRAT, Charli já capturava, com certa precisão, a euforia da vida noturna de forma sintetizada, e durante a pandemia não foi diferente. Em “anthems”, por exemplo, ela canta sobre a falta de sair por aí com seus amigos, de curtir a noite inteira. O pano de fundo está em sua devoção pela liberdade que somente a música pode provocar, por isso o som abrasivo, característico de how i'm feeling now (2020), parece testar um de seus vários limites entre aquilo que, a partir desse ano, já perdia força: o hyperpop.7. “Set Me Free (Feel My Pain)”
Charli sempre foi perseguida por alguns ouvintes específicos de música pop (em sua maioria fãs de Taylor Swift) por não “compor” bem. Ainda que as suas músicas tenham alguns dos melhores refrões, e não precisem de mais nada além disso para serem incríveis, “Set Me Free (Feel My Pain)” é uma das melhores letras já feitas por ela. O melhor, é que ela escreveu essa música aos 14 anos, detalhando perfeitamente o embargo emocional de uma paixão ardente.6. “Gone” feat. Christine and the Queens
É estranho ouvir “Gone” e tentar associá-la ao que Charli estava tentando fazer em seu autointitulado de 2019, vez que a parceria com Christine and the Queens assume ser tanto mais um pop perfeito quanto uma peça que exibe o lado criativo que grita algumas das ideias mais borbulhantes e plásticas da então PC Music. O fato é que a música parece não ter envelhecido um minuto sequer, e os versos, divididos por batidas metálicas – e por uma ponte cheia de quebras instrumentais e microexplosões futuristas –, dão combustão ao seu estado escaldante que desperta interesse ainda hoje.5. “claws”
Pode soar repetitivo, mas qual outra artista faria um refrão tão simples e repetitivo (“I like, I like, I like, I like, I like everything about you”) soar tão bem construído e grudento, a ponto de puxar consigo todo o restante da letra? Na pandemia, não havia simplicidade maior que essa para cantarolar apaixonado, preso às bobagens do interesse romântico efêmero cuja trilha eram alguns ganchos repletos de glitches e batidas duras que soavam como uma orquestra extremamente afinada.4. “B2b”
Charli é uma exímia compositora pop, por isso que repete “Back to, back to, back to, back to, back to you” centenas de vezes, tantas quantas forem necessárias para descartar qualquer padrão lírico que flerte com uma normalidade, sem sentido, dentro de seu próprio léxico artístico. Ela não precisa rimar sílabas para atingir um tema ou uma narrativa acessível. As batidas tornam essa repetição, esse viés quase dadaísta, ainda melhor ao atingirem nossos ouvidos com certa violência. Isso é BRAT!3. “Vroom Vroom”
Inicialmente apontada como um rebranding que deu errado por toda a crítica, e estranhada por parte do público, “Vroom Vroom” foi o passo de Charli rumo ao abismo. Ela se jogou. Hoje, sabe-se que a crítica estava errada, e o infeliz público que passou a chamar as músicas dela de “bate panela”, também. Tanto a faixa quanto o EP marcaram o início de uma centena de movimentos que foram se espalhando e se confirmando como estéticas da internet, um efeito dominó indesistível. E só bastou Charli escrever algumas onomatopeias para entrar para a história…2. “Track 10”
“Track 10” talvez seja a coisa mais PC Music que Charli xcx chegou a fazer antes de a gravadora se converter em um movimento ainda mais extenso em termos de classificação. São vozes distorcidas, graves que se expandem em uma ruma de batidas agressivas, cordas e elementos plásticos que evocam o design de som guiado por SOPHIE, enquanto Charli canta com seus vocais e um ritmo pop tão ascendente quanto emocionante. Na primeira metade da faixa, um coral e uma espécie de nota fixa, quase um drone, são sustentados até tudo se converter em uma explosão sintética. É uma das coisas mais complexas que Charli já fez, consequentemente uma faixa que sintetiza sua passagem pela vanguarda pop que ajudou a transformar a música.1. “visions”
“visions” não só é a melhor música de Charli xcx, como o álbum do qual ela faz parte, how i'm feeling now (2020), também é o seu melhor. Há uma coisa diferente aqui, uma visão do DIY do hyperpop que nunca fez sentido. Seus refrões, como citado anteriormente, são perfeitamente desenvolvidos para ir além da estética que havia se criado em torno desse apelo de pop com eletrônica recheada de experimentalismo de gênero: é pop em sua máxima essência. Por isso, “visions”, escolhida para encerrar o álbum, soa tão dispersa. Sua construção investe fundo nesse pop, mas seus minutos finais, tomados por um instrumental corrosivo, uma batida que perfura as camadas emocionais mais profundas de seus temas, parecem se comportar como uma antítese de tudo o que Charli já fizera antes, ao mesmo tempo que soam profundamente presos, também, a tudo o que ela já fez. Seria parte de uma dicotomia se não fosse a liberdade com a qual ela escolhe usar essa faixa, que, por um lado, parece existir livremente, sem Charli, sem ninguém. Ela acaba assim, com a impressão de entrar em nossos ouvidos, aquecer lá dentro, uma sensação de euforia que nenhuma outra música consegue capturar.Ouça a playlist:
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