CFCF - L.U.V.



7.1

Never Going Home (2023) é, de longe, uma das melhores coisas feitas com exclusiva vontade para as pistas de dança nesta década. O EP tirou a atenção de Mike Silver, que atende pelo nome artístico de CFCF, de abordagens mais padrão do pop com um pezinho na eletrônica vinda de um contexto puramente dance.

Ele retorna agora com um álbum completo, L.U.V., e uma sequência de faixas que recupera parte de seu repertório dance, desta vez mais nostálgico do que nunca. O mais interessante é que recorrer à nostalgia nunca pareceu, para produtores num contexto semelhante ao dele, uma escolha lúcida diante de tantos nomes gigantescos dependendo justamente desse fator para lançar algo hoje em dia.

É certo que sua abordagem, essencialmente voltada ao electropop Y2K dos anos 2000, consiga dialogar muito bem com técnicas de composição ditas como recentes, e por isso funciona perfeitamente em momentos como “Babes”, cujos versos e vocais alterados dependem de uma repetição específica, cheia de lasers, com um ritmo que faz borbulhar as pistas através de uma plasticidade típica desse investimento no som do “passado”, sem abrir brechas para descanso.

L.U.V. é todo assim, na verdade. Do começo ao fim, seu ritmo pop é comandado por uma chave que sofre nenhuma ou quase nenhuma interferência. O ritmo parece se manter o mesmo, inclusive nos instantes em que, em tese, deveria se conter. É o caso da sequência “Cosmo” e “La touche”, postadas no centro do álbum e que contam com usos menos intensos do ritmo imersivo do electro, que se esbanja aqui numa quantidade raramente vista, quase exagerada.

Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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