Radar RE selos: Short Span


Lançado em fevereiro do ano passado, o selo britânico Short Span vem ganhando forte apreço entre os admiradores de música eletrônica de vanguarda. O selo possui foco em trabalhos que abrangem estilos descritos por eles como mais profundos e expansivos, como o ambient e o dub techno.

O que realmente tem chamado a atenção, além de uma sonoridade voltada para algumas das principais escolas da música eletrônica experimental, é o perfil dos artistas que integram o selo. Entre eles estão Picture, Mammo, K Wata, Bot150 e Yu Su, entre outros.

Passando do anonimato (com pouco ainda se sabendo sobre a identidade de alguns deles) para se tornarem rapidamente favoritos de um público obcecado por música eletrônica obscura, a Short Span lançou alguns dos melhores discos de 2026. Confira!



Picture - Eeeeeeee

Desde Lateral, de Mammo, meu primeiro contato com o selo Short Span, passei a nutrir, assim como alguns colegas, um interesse específico na forma como seus lançamentos têm dado vida a importantes escolas noventistas de música eletrônica, que vêm se adequando a novas possibilidades, muitas delas abrindo margem para ideias que correm por fora de estéticas já consolidadas e reconhecíveis, como a do dub techno. Ao lado de Picture, projeto do produtor Natal Zaks, estão também nomes como K Wata, que buscou modelar, de forma ainda mais incisiva que Lateral, o dub techno old school para adaptá-lo à sua linguagem contemporânea.

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Bot1500 - The Black Sea

O novo álbum do produtor japonês Bot1500, The Black Sea, é mais um excelente acréscimo ao cânone do selo britânico Short Span, que vem colecionando algumas das abordagens de música eletrônica experimental mais interessantes da atualidade. Por isso, aqui, ele expande a sua visão unilateral do minimalismo impresso no IDM, criando texturas que avançam por ambiências que buscam compor imagens marítimas, ora calmas, ora agitadas, como o mar é.

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Mammo - Lateral

Para discos como Lateral, é preciso assumir alguns pressupostos. Mammo por muito tempo permaneceu anônimo, se escondendo atrás de um pseudônimo que começou a chamar atenção de alguns vários fãs de música eletrônica por dar seguimento a um tipo de abordagem minimal que raras vezes se concretizou, se efetivou, da forma como o fez, a ponto de gerar percepções fixas de estilo. Outro pressuposto, é justamente este: o de assumir que faz e que está fazendo algo cujo retorno vai mexer com o imaginário das pessoas.

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Yu Su - Foundry

Pode soar exagerado o foco que Yu Su dá às reverberações em Foundry, mais um destaque do selo Short Span. Na segunda faixa do disco, “Sunless”, em parceria com Memotone, as cordas trabalham como se fossem as responsáveis por criar as notas que sustentam a exploração ambient do álbum, aqui ao lado de texturas que remetem a microssons misturados com electroacoustic.

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K Wata - Give U Space

Inicialmente, Give U Space parece apelar mais para a criação da atmosfera que será desenvolvida posteriormente, com instantes que parecem mais ecos do que música em si, como um estado quase devocional da atmosfera. O disco muda na segunda metade, incrementando mais elementos que convertem sua abordagem lentamente.

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Picture - Uuuuuuuu

O novo – e segundo – álbum do produtor este ano, Uuuuuuuu, não se parece muito com o seu antecessor. Aqui, o ritmo não cessa em instante algum, e quando o faz, é possível perceber que ainda existem camadas agitando sua estrutura nos fundos, reverberando os ecos que caracterizam o dub techno clássico, com essa roupagem nova. Mesmo sendo menos diverso, em outras palavras, menos maleável, este álbum ainda assim corresponde às ideias maleáveis de Zaks, essencialmente em momentos como a faixa “Leeeeeee”, tomada por um tom analógico, próximo de acenar a uma nostalgia recente, cheia de reviravoltas presas num transe que planifica, no melhor dos sentidos, as texturas que ele cria.

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Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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