
7.3
O novo álbum do produtor japonês Bot1500, The Black Sea, é mais um excelente acréscimo ao cânone do selo britânico Short Span, que vem colecionando algumas das abordagens de música eletrônica experimental mais interessantes da atualidade. Por isso, aqui, ele expande a sua visão unilateral do minimalismo impresso no IDM, criando texturas que avançam por ambiências que buscam compor imagens marítimas, ora calmas, ora agitadas, como o mar é.Em “Shadows”, por exemplo, os elementos soam dispersos e desconectados, como se se guiassem por alguns acordes tocados manualmente, mas que, ao mesmo tempo, dão a impressão de terem sido criados por uma maquinaria feita exclusivamente para gerar a sensação de imensidão que a faixa constrói gradualmente. E, embora toque em um aspecto de improvisação, a música se repete diversas vezes, como se Bot1500 tentasse despertar algo, reviver um sentimento aprisionado na estrutura minimalista.
É aí que surge o IDM, como se fosse uma perturbação, uma força que surge para romper o silêncio interno que vai se formando. “Sails” é onde isso fica mais evidente, com um ritmo que dosa tanto o ambient quanto batidas esporádicas e uma atmosfera dub que remete, por fim, aos lançamentos mais profundos da Short Span – mesmo que não seja intencional, é um detalhe que torna a abordagem de Bot1500 ainda mais interessante.