
7.5
De onde vem o prestígio de Dax J? Da crítica, não. Do público, talvez. Quem sabe, do público que ele mesmo criou. Falar de crítica na eletrônica é uma questão um pouco complexa, visto que a Resident Advisor deixou de publicar críticas com cotação ainda na década passada e, mesmo assim, Dax J nunca foi exatamente aclamado por eles, o que é um pouco suspeito, mas normal. Pessoalmente, tive mais contato com os trabalhos dele desta década e, desde a primeira vez, fiquei encantado.Existe algo extremamente controlador, mas, ao mesmo tempo, disperso em suas formas, livre, em seu som. Há quem o descreva por aparatos sinestésicos, como o constante apelo hipnótico de suas composições. Mas, mais do que isso, é um som perturbador. Seu novo EP, Sphinx, retoma essa impressão; corresponde mais a ela do que à própria hipnose. É sombrio, gélido. Em “Baghdad”, por exemplo, os fragmentos vocais mais assustam do que provocam qualquer outra sensação. Dá a impressão de que ele organiza sua linha de baixo como se guiasse uma fileira de soldados, marchando e parando em posição, enfileirados, prestes a seguir algum comando militar desconhecido.
Nesse ponto, seu som – com a dúzia de adjetivos que merece – passa a se comportar de forma muito semelhante a essa imagem. É quadrado, delimitado, direto e reto, como se a organização de suas batidas dependesse da estrutura fixa que ele cria e repete em diferentes doses, mas sempre presa a uma dureza industrial, a uma robustez que é tão repetitiva quanto tenebrosa, no melhor sentido possível.