Dax J - Sphinx



7.5

De onde vem o prestígio de Dax J? Da crítica, não. Do público, talvez. Quem sabe, do público que ele mesmo criou. Falar de crítica na eletrônica é uma questão um pouco complexa, visto que a Resident Advisor deixou de publicar críticas com cotação ainda na década passada e, mesmo assim, Dax J nunca foi exatamente aclamado por eles, o que é um pouco suspeito, mas normal. Pessoalmente, tive mais contato com os trabalhos dele desta década e, desde a primeira vez, fiquei encantado.

Existe algo extremamente controlador, mas, ao mesmo tempo, disperso em suas formas, livre, em seu som. Há quem o descreva por aparatos sinestésicos, como o constante apelo hipnótico de suas composições. Mas, mais do que isso, é um som perturbador. Seu novo EP, Sphinx, retoma essa impressão; corresponde mais a ela do que à própria hipnose. É sombrio, gélido. Em “Baghdad”, por exemplo, os fragmentos vocais mais assustam do que provocam qualquer outra sensação. Dá a impressão de que ele organiza sua linha de baixo como se guiasse uma fileira de soldados, marchando e parando em posição, enfileirados, prestes a seguir algum comando militar desconhecido.

Nesse ponto, seu som – com a dúzia de adjetivos que merece – passa a se comportar de forma muito semelhante a essa imagem. É quadrado, delimitado, direto e reto, como se a organização de suas batidas dependesse da estrutura fixa que ele cria e repete em diferentes doses, mas sempre presa a uma dureza industrial, a uma robustez que é tão repetitiva quanto tenebrosa, no melhor sentido possível.

Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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