
7.3
O baltimore club é a prova cabal da importância de reconhecer as raízes negras da música eletrônica, para além de sua simples fusão com estilos diretamente associados a elas, como o hip hop. O gênero caminha ao lado de vertentes que se tornaram parte da cultura do hip hop, como o miami bass, que aqui, no Brasil, não apenas pariu o funk, como também influenciou no rap nacional.Ciente do peso que o estilo tem, jovens produtores como Kade Young têm agido diretamente na cena que resiste até os dias de hoje em Baltimore, se aventurando em formas que têm cada vez mais acrescentado dinamismo e, consequentemente, fazendo o baltimore club evoluir, em outras palavras, provando do fato do estilo ser, assim como a vastidão das vertentes que mantém a música eletrônica, um organismo vivo. Seu trabalho, por isso, não vê barreiras: passa por meio de sua gravadora, em eventos locais e regionais e oficinas voltadas para oferecer apoio e mentoria a artistas queer, femininos e trans.
É por isso que o seu novo EP, Gravity, torna a exibir, como tema posto em sua batidas submersas em sub-graves e BPMs pesados, muito mais do que uma visão atual do baltimore club. Em “Leswerk”, a introdução passa de hi-hats afiados para uma percussão um tanto minimalista, antes de ser preenchido com padrões de bateria clássicos, acompanhados da repetição de um sample vocal igualmente minimalista e veloz.
Em “MissingU”, Kade parece denotar um sentimento, que descreve como romântico, dentro do estilo que domina com um olhar também apaixonado. As batidas aqui parecem amortecidas, assumem texturas mais leves e atmosféricas, ainda assim noturnas, mas de um jeito verdadeiramente doce, romântico. Parece brincadeira, propor algo e corresponder a esse algo de forma tão pontual, mas Kade Young o faz muito bem. O futuro está muito bem em suas mãos!