
8.5
Quando aquela fac-símile cartunesca, demasiadamente expansiva e desprovida de fundura de Homogenic foi lançada ano passado e os jornalistas musicais mais tongos do mundo começaram a tratar como um clássico geracional, muito se falou sobre como a “música clássica” pode servir como aparato, elemento, estético capaz de tornar a música pop mais “séria”. Um tom levemente reacionário, diga-se de passagem.
E ainda que as frases e ideias para descrever aquilo não passassem de meras ejaculações precoces – tirando o fato de “Berghain” realmente ser boa, pouco graças a ROSALÍA e muito a Björk –, tornou-se consenso a grandiosidade de existir, em plena atualidade, tamanho desafio às normas, aos padrões, mesmo que o produto analisado seja a coisa mais padrão, o entendimento mais normie e a definição mais limitada existente de música de concerto, de composição instrumental e lírica do mundo.
Eu queria muito saber, observar, e penetrar na cabeça desses jornalistas musicais de algoritmo, que amam classificar e gostar de algo a depender do quão expansivo soe, do quão mais megalomaníaco seja – por nada, às vezes – ouvindo e absorvendo piano_dysfunction. O álbum do projeto Vista Pacifica trata de conter, não apenas como parte da criação de forma em suprimento (e não detrimento) do conteúdo, a partir de aspirações reais, cruas, e por vezes até sem consequência de onde o som, produzido aqui, há de chegar, há de atingir. O foco na construção de tonalidade dada através de pressupostos formalizantes de “música clássica”, ou de “música instrumental”, o piano, por exemplo, anteveem o suprimento dessa estrutura para ainda, apesar de suas texturas altamente ásperas, ser melódico, prescindir uma sequência que não soe apenas desconfortável, como é na sua extensa duração, mas sim musicalmente compreensível – seja lá o que isso queira dizer.
Muito por isso consegue imprimir uma noção de atmosfera (cinematográfica, risos), de exageros, que confere como raras vezes fora feito, uma percepção de homogeneidade genuinamente verdadeira. Esse é o tipo de som cujo propósito se esvai e que se torna expansivo por ter, como conteúdo mesmo, um meio, um recheio, de ser isso: grandioso. De soar grande, por mais pequeno que seja na realidade, e não pequeno demograficamente ou comercialmente, mas pequeno de se bastar em sua própria construção, a maneira como vê a composição, o uso de instrumentais, a formação de uma linguagem que desbaratina os padrões e cria, através disso, música.
E ainda que as frases e ideias para descrever aquilo não passassem de meras ejaculações precoces – tirando o fato de “Berghain” realmente ser boa, pouco graças a ROSALÍA e muito a Björk –, tornou-se consenso a grandiosidade de existir, em plena atualidade, tamanho desafio às normas, aos padrões, mesmo que o produto analisado seja a coisa mais padrão, o entendimento mais normie e a definição mais limitada existente de música de concerto, de composição instrumental e lírica do mundo.
Eu queria muito saber, observar, e penetrar na cabeça desses jornalistas musicais de algoritmo, que amam classificar e gostar de algo a depender do quão expansivo soe, do quão mais megalomaníaco seja – por nada, às vezes – ouvindo e absorvendo piano_dysfunction. O álbum do projeto Vista Pacifica trata de conter, não apenas como parte da criação de forma em suprimento (e não detrimento) do conteúdo, a partir de aspirações reais, cruas, e por vezes até sem consequência de onde o som, produzido aqui, há de chegar, há de atingir. O foco na construção de tonalidade dada através de pressupostos formalizantes de “música clássica”, ou de “música instrumental”, o piano, por exemplo, anteveem o suprimento dessa estrutura para ainda, apesar de suas texturas altamente ásperas, ser melódico, prescindir uma sequência que não soe apenas desconfortável, como é na sua extensa duração, mas sim musicalmente compreensível – seja lá o que isso queira dizer.
Muito por isso consegue imprimir uma noção de atmosfera (cinematográfica, risos), de exageros, que confere como raras vezes fora feito, uma percepção de homogeneidade genuinamente verdadeira. Esse é o tipo de som cujo propósito se esvai e que se torna expansivo por ter, como conteúdo mesmo, um meio, um recheio, de ser isso: grandioso. De soar grande, por mais pequeno que seja na realidade, e não pequeno demograficamente ou comercialmente, mas pequeno de se bastar em sua própria construção, a maneira como vê a composição, o uso de instrumentais, a formação de uma linguagem que desbaratina os padrões e cria, através disso, música.