Peder Mannerfelt - Iguana Aura


7.1

O trabalho de Peder Mannerfelt na música se expande para diferentes contextos, gêneros e estilos. O que sempre guiou seu fazer artístico foi a curiosidade, o desejo de explorar estéticas que, de certa forma, conversam entre si no sentido de propor uma experiência de absorção – essencialmente nas pistas de dança – que cada vez mais tem se tornado sinônimo de riqueza e de variação em basicamente todas as cenas que, que desde a pandemia, precisaram se tornar ambientes vivos cada vez mais comprometido com o avanço e retórica. Iguana Aura, novo EP dele, trata dessas questões com um olhar muito interessante da sua criação e do impacto que pode ter ao promover alguns avanços.

O EP aposta em texturas que se concentram na oposição rítmica, mesmo que permaneçam próximas umas das outras. Enquanto a abertura “Bubble” parece imprimir camadas líquidas e escorrer pelos dedos ao ser tocada, num molejo tão prazeroso quanto recheado de requebro, “Iguana Aura” é mais rápida, direta na criação de uma atmosfera noturna e com uma repetição instrumental que percorre todos os seus mais de seis minutos de duração. Apesar de se oporem, ambas as faixas e mais “A Change to Keep I Have”, ainda mais lenta, soam incrivelmente próximas de si, e do que Peder Mannerfelt vem desenvolvendo nos últimos vinte anos. O contraste gerado entre elas é derrubado pelo foco que ele dá aos contrastes rítmicos, como se contasse diferentes histórias através deles.

Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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