7.1
O trabalho de Peder Mannerfelt na música se expande para diferentes contextos, gêneros e estilos. O que sempre guiou seu fazer artístico foi a curiosidade, o desejo de explorar estéticas que, de certa forma, conversam entre si no sentido de propor uma experiência de absorção – essencialmente nas pistas de dança – que cada vez mais tem se tornado sinônimo de riqueza e de variação em basicamente todas as cenas que, que desde a pandemia, precisaram se tornar ambientes vivos cada vez mais comprometido com o avanço e retórica. Iguana Aura, novo EP dele, trata dessas questões com um olhar muito interessante da sua criação e do impacto que pode ter ao promover alguns avanços.O EP aposta em texturas que se concentram na oposição rítmica, mesmo que permaneçam próximas umas das outras. Enquanto a abertura “Bubble” parece imprimir camadas líquidas e escorrer pelos dedos ao ser tocada, num molejo tão prazeroso quanto recheado de requebro, “Iguana Aura” é mais rápida, direta na criação de uma atmosfera noturna e com uma repetição instrumental que percorre todos os seus mais de seis minutos de duração. Apesar de se oporem, ambas as faixas e mais “A Change to Keep I Have”, ainda mais lenta, soam incrivelmente próximas de si, e do que Peder Mannerfelt vem desenvolvendo nos últimos vinte anos. O contraste gerado entre elas é derrubado pelo foco que ele dá aos contrastes rítmicos, como se contasse diferentes histórias através deles.
