
7.1
O techno segue sendo um campo fértil de algumas das produções mais desafiadoras da música eletrônica na atualidade. Em seu novo EP de quatro faixas, Naco, nome lendário de Kyoto, cria mutações que geram verdadeiras envergaduras no tecido mole do gênero. O design é elástico, repleto de toin oin oin que se esparramam pelas quatro peças, cada um num ritmo diferente.As batidas de “Alt” capturam uma espécie de interdimensionalidade que esbarra nas faixas mais apáticas de Blawan, pois tem uma desenvoltura chocante em termos de neutralizar as batidas e torná-las mais vivas, como se ultrapassassem a barreira do som num piscar de olhos. A técnica que Naco usa não pode ser desvendada neste EP, até porque é apenas um pedaço do que consegue fazer. É techno experimental em puro estado de degustação.
A música mais longa de todas, “GP”, é também a mais repetitiva. Surge com caixas atordoantes, fragmentos vocais que criam a percussão e a base da qual o ritmo parece se apoiar. A ideia se repete em “Metta”, que encerra o EP de forma ainda menos humana possível. Aqui, os vocais parecem se deslocar de qualquer característica que os torne acessíveis, o que nos repele para longe. Do meio para o final, a faixa se torna uma bagunça, dando a impressão de perder o rumo. Engano. É neste momento que Metta se concretiza por completo.