
5.1
Tem sido um sofrimento gigantesco saber que coisas produzidas por SOPHIE enquanto ainda estava viva podem ganhar a luz do dia de uma hora pra outra. Essa sensação começou com o álbum póstumo de 2024, o autointitulado e que foi feito através de uma curadoria de seus familiares com faixas que ela havia criado, tocado em sets, mas que oficialmente estavam guardadas a sete chaves.E, por mais que algumas músicas fossem genuinamente boas, o projeto em si sofreu com a maldição dos álbuns póstumos criados por terceiros, diferente de quando o álbum é deixado inteiramente pronto pelo artista falecido – são raros os casos. Desde lá, a trágica morte da pioneira do pop vem servindo de pano de fundo para diferentes lançamentos, que são difíceis de saber se passariam pelo crivo dela caso estivesse viva. O da vez é Released at Last, um conjunto de três faixas da rapper norte-americana Big Freedia, todas produzidas por SOPHIE.
O grande destaque – e talvez o único – é a faixa de abertura, “Let Me See Ya”, com participação de MUNA. O ritmo lembra o pop borbulhante que SOPHIE, Freedia e seus contemporâneos produziam de meados de 2015 a 2017, especialmente em suas prolíficas colaborações de bubblegum bass com nomes como Charli xcx. “Blaze That Ass”, por outro lado, carrega mais a assinatura de Freedia do que a de SOPHIE, e a presença de SOPHIE com suas batidas repetitivas funciona, mas é aí que a faixa termina, acaba nisso.... “Go Down”, por fim, soa inacabada, vazia, oca. Os instrumentais e as batidas dão a impressão de perderem o sentido com a separação física da base sonora da voz de Big Freedia. É, no mínimo, estranho.