
7.7
RHR e residentevie estão entre os nomes que exploraram a intersecção entre funk e dubstep este ano de maneiras distintas, mas todos focados em uma visão que une o funk (batidas reconhecíveis) e a música eletrônica (drops e transições impulsionados por sub-bass pesado), e vice-versa. Se o ano passado marcou a consolidação da mistura entre funk e música eletrônica formal, tem sido interessante observar como essa combinação agora busca caminhos além do padrão estabelecido pela maioria dos DJs. É nesse contexto que KARAN! surge com o EP SANGURAL, percorrendo esse caminho – ligado às vertentes mais extremas do dubstep – como uma ponte entre o melhor de ambos os gêneros, entrelaçados sob o guarda-chuva da música eletrônica contemporânea.No entanto, diferentemente de qualquer outra coisa surgida dessa relação entre funk e dubstep, SANGURAL por vezes dilui as fronteiras de suas próprias origens estéticas. Seria mais funk ou mais dubstep? É difícil dizer, pois KARAN! parece transformar o funk no próprio dubstep, recriando as batidas características do tchu-tchu-tcha em meio às linhas de baixo pesadas típicas do andamento de 140 BPM do dubstep. Em "KONYA" (com participação de MC 7 Belo), a batida aguda de funk, que remete ao estilo interno da ritmada, assume uma textura extremamente tubular e seca, que de alguma forma incorpora tanto o dubstep quanto o funk simultaneamente.
Por um lado, é impossível identificar exatamente onde cada elemento entra, pois eles não se separam; em vez disso, fundem-se constantemente, gerando transições e criando espaço através de camadas sobre camadas de som. Em certos momentos, a música explora a natureza ambient e atmosférica do dubstep; em outros, intensifica as batidas de funk – chegando a alterar as vozes dos MCs – como se aquilo fosse a única coisa que estivéssemos ouvindo. Seria este um novo gênero? dubfunk ou funkstep? Isso não importa! KARAN! faz muito mais por ambos.