
7.2
Álvaro Arellano estreia seu novo projeto, varo, através de um EP focado na desconstrução de ritmos trance por entre uma perspectiva de desconstrução pessoal ou, talvez, de uma inauguração de suas ideias sobre música e também sobre a própria persona. O EP, de quatro faixas, dispensa a linearidade das frequências de batidas fincadas no techno padrão, o mais formalista possível. Na verdade, varo se entrega a essa formalidade, mas como forma de rejeitá-la. Na abertura, “sin pensar”, com seus sete minutos de duração, o ritmo segue num crescendo repetitivo, atmosférico, com pequenas inferências melódicas e vocais típicas do techno.A coisa muda em “rienda suelta”, que usa dessas mesmas batidas para compor uma ambientação mais dinâmica, mais acessível, e que joga com modelos do trance hipnótico, como se literalizasse essa busca por hipnotizar o ouvinte e tirá-lo do estado plano ao qual a faixa anterior o havia conduzido. Não se trata, todavia, de uma justaposição simples ou de uma experimentação focada apenas no contraste. As duas faixas, e as diferenças entre elas, são parte essencial da desconstrução – sobretudo temática – da produção de varo. Em outras palavras, são os movimentos que ele cria nesse contraste que dizem o que realmente quer expor aqui, neste EP.